Por
Jorge
Barreiros Alves
A realidade teológica brasileira é
um assunto que não podemos menosprezar, nem tampouco deixar de analisar. Do
ponto de vista teológico econômico e também teológico social. A pergunta que
resulta dessa evolução desordenada e ainda confusa da nova forma da missão da
igreja, que é a evangelização através da mídia é: qual será o caldo que a
igreja e sociedade sorverão e como se modelará daqui por diante.
Nessa pequena coluna seria
impossível analisar toda estrutura que sustenta essa nova forma de
evangelização, mas é possível de forma sintética visualizar o panorama que já
existe com a inserção da TV da internet e da mídia escrita.
Em primeiro lugar todo espectador de
TV não pode ser ignorante a ponto de desconhecer que todo produto veiculado
pelo meio televisivo tem um preço. Esse preço está atrelado ao mecanismo de
marketing exigido para que o produto tenha sua oferta suficientemente coberta.
Partindo desse pressuposto não
existe dificuldade de reconhecer que o culto (adoração a Deus) por esses
veículos tem seu feitio formalizado a reboque dos desejos, necessidades e
ambições do coração humano, (para ser absorvido e comprado) que conforme a
revelação bíblica profética é desesperadamente corrupto (Jr 17.9), assim como
desde os primórdios também é reconhecidamente maligno os desígnios humano (Gn
8.21).
Ao analisarmos a teologia econômica
da igreja constituída pela doutrina apostólica, com aprovação testemunhal de
Jesus (At 4), em comparação com o novo segmento cristão mediado pela mídia,
especialmente a televisiva percebemos,
a) tinham um só pensamento
(unidade).
b) a vida dos que criam na
ressurreição de Jesus testemunhada pelos apóstolos era de abundante graça
(ajudavam-se mutuamente).
c) os que tinham mais posses
dividiam com os menos favorecidos.
d) igrejas distantes (Macedônia)
cobriam a dificuldade de outra mais pobre (Judéia), 2 Co 8.14, para que
houvesse igualdade.
Claramente existe já um desafio para
o cristão atual viver na nova dimensão urbana e transformada e ser solidário
num sistema político, econômico, social e hostil, porém não é concebível
estimular a alienação, egoísmo, discriminação social, soberba, arrogância
religiosa de uma forma oculta entre os discursos, músicas e shows e promessas
que não condizem com os valores do Reino de Deus.
Como enxergar essas verdades quando
se promete o céu na troca de compra de CDs, livros, revistas, dízimos, ofertas
que conforme o valor tem uma benção especializada para cada uma delas?
A promessa de sucesso financeiro,
posse de bens de consumo, proeminência social, progresso na carreira
profissional, entre tantas, estão na base da comunhão com Deus. O conceito
humano de ser maior e, sobretudo superior socialmente anda ao avesso da
advertência de Jesus aos discípulos “quem quer ser maior no Reino dos céus deve
ser o menor, deve ser aquele que serve”
Percebe-se que a teologia tem uma
íntima relação com a economia, porém no segmento midiático ela se modela ao
mercado do consumo, sem se importar com o próximo.
Os ideais divinos
teológico-econômicos expostos por Jesus que se concentra na “busca
primeiramente do Reino de Deus e todas as outras coisas lhes serão
acrescentadas” foram simplesmente removidas para como diz Jung Mo Sung*, “buscai primeiro as coisas do reino dos
homens e receberás Deus como brinde”.
A questão é: como a nova comunidade
eclesiástica que se locupleta pela teologia midiática do sucesso a todo CUSTO
responderá quando lhe for pedido por Jesus para “carregar sua cruz”?
Já encontramos muitos desiludidos
com a graça, e não podemos esconder o descontentamento com uma “teologia” que
enriquecem alguns a custo do empobrecimento da maioria. Essa tese está muito
bem conectada com o capitalismo perverso implantado no Brasil ao qual Roberto
Campos, um dos seus idealizadores defende o ideal de que é necessário
sacrificar pessoas pobres em favor do lucro “*
*SUNG. Jung Mo, Desejo, Mercado e Religião. Petrópolis, Vozes,
1997.
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