sexta-feira, 14 de março de 2014

Igrejas Eletrônicas

                                         
                                               Por
                                               Jorge Barreiros Alves


            A realidade teológica brasileira é um assunto que não podemos menosprezar, nem tampouco deixar de analisar. Do ponto de vista teológico econômico e também teológico social. A pergunta que resulta dessa evolução desordenada e ainda confusa da nova forma da missão da igreja, que é a evangelização através da mídia é: qual será o caldo que a igreja e sociedade sorverão e como se modelará daqui por diante.
            Nessa pequena coluna seria impossível analisar toda estrutura que sustenta essa nova forma de evangelização, mas é possível de forma sintética visualizar o panorama que já existe com a inserção da TV da internet e da mídia escrita.
            Em primeiro lugar todo espectador de TV não pode ser ignorante a ponto de desconhecer que todo produto veiculado pelo meio televisivo tem um preço. Esse preço está atrelado ao mecanismo de marketing exigido para que o produto tenha sua oferta suficientemente coberta.
            Partindo desse pressuposto não existe dificuldade de reconhecer que o culto (adoração a Deus) por esses veículos tem seu feitio formalizado a reboque dos desejos, necessidades e ambições do coração humano, (para ser absorvido e comprado) que conforme a revelação bíblica profética é desesperadamente corrupto (Jr 17.9), assim como desde os primórdios também é reconhecidamente maligno os desígnios humano (Gn 8.21).
            Ao analisarmos a teologia econômica da igreja constituída pela doutrina apostólica, com aprovação testemunhal de Jesus (At 4), em comparação com o novo segmento cristão mediado pela mídia, especialmente a televisiva percebemos,
            a) tinham um só pensamento (unidade).
            b) a vida dos que criam na ressurreição de Jesus testemunhada pelos apóstolos era de abundante graça (ajudavam-se mutuamente).
            c) os que tinham mais posses dividiam com os menos favorecidos.
            d) igrejas distantes (Macedônia) cobriam a dificuldade de outra mais pobre (Judéia), 2 Co 8.14, para que houvesse igualdade.
            Claramente existe já um desafio para o cristão atual viver na nova dimensão urbana e transformada e ser solidário num sistema político, econômico, social e hostil, porém não é concebível estimular a alienação, egoísmo, discriminação social, soberba, arrogância religiosa de uma forma oculta entre os discursos, músicas e shows e promessas que não condizem com os valores do Reino de Deus.
            Como enxergar essas verdades quando se promete o céu na troca de compra de CDs, livros, revistas, dízimos, ofertas que conforme o valor tem uma benção especializada para cada uma delas?
            A promessa de sucesso financeiro, posse de bens de consumo, proeminência social, progresso na carreira profissional, entre tantas, estão na base da comunhão com Deus. O conceito humano de ser maior e, sobretudo superior socialmente anda ao avesso da advertência de Jesus aos discípulos “quem quer ser maior no Reino dos céus deve ser o menor, deve ser aquele que serve”
            Percebe-se que a teologia tem uma íntima relação com a economia, porém no segmento midiático ela se modela ao mercado do consumo, sem se importar com o próximo.
            Os ideais divinos teológico-econômicos expostos por Jesus que se concentra na “busca primeiramente do Reino de Deus e todas as outras coisas lhes serão acrescentadas” foram simplesmente removidas para como diz Jung Mo Sung*,  “buscai primeiro as coisas do reino dos homens e receberás Deus como brinde”.
            A questão é: como a nova comunidade eclesiástica que se locupleta pela teologia midiática do sucesso a todo CUSTO responderá quando lhe for pedido por Jesus para “carregar sua cruz”?
            Já encontramos muitos desiludidos com a graça, e não podemos esconder o descontentamento com uma “teologia” que enriquecem alguns a custo do empobrecimento da maioria. Essa tese está muito bem conectada com o capitalismo perverso implantado no Brasil ao qual Roberto Campos, um dos seus idealizadores defende o ideal de que é necessário sacrificar pessoas pobres em favor do lucro “*

*SUNG. Jung Mo, Desejo, Mercado e Religião. Petrópolis, Vozes, 1997.
             
           
           
                                                         

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