segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Terra e humanidade ameaçados: desafio ao cristianismo
Jorge Barreiros Alves
Quando focamos o assunto que envolve
a vida humana e sua condição na terra, não conseguimos disfarçar a preocupação
cada vez maior. Embora esforços em grande parte do mundo sejam debatidos, a
biodiversidade continua a sua decadência vital. Uma das últimas tentativas de
discutir o assunto, a conferência Rio+20, demonstrou um claro descaso daqueles
que poderiam dar suporte maior à tentativa de barrar, ou diminuir a destruição dos recursos
naturais do planeta, que são os líderes das maiores potencias.
Reconhecidamente o órgão que cuida
das questões ambientais que está subordi-nado à ONU, não tem sido levado a
sério. Primeiro porque os recursos que lhe é destinado é um dos menores dentro da
organização, e segundo, qualquer pessoa pode participar para debater assunto que envolve o risco de toda a humanidade nessas conferências.
Até hoje vemos a dramática batalha praticamente individual de alguns, e
algumas organizações lutando de uma forma distante uma das outras, e o
resultado fica muito aquém do que toda a humanidade necessita. A essa conclusão
reagimos com um pensamento, o que poderá parar a degradação desses elementos
essenciais à vida humana? Dentro desse
pensamento também questionamos o processo de começo e término do ciclo vital da
terra.
Não há dúvida que a tradição religiosa cristã pode associar os escritos
bíblicos apocalípticos aos acontecimentos que a ciência já começa a afirmar, ou
seja, a terra não poderá suportar por muito tempo tanto saque e feridas dos
elementos que fazem parte do seu corpo.
Os relatos das palavras de Jesus que abrangem todo capítulo 24 do
evangelho de Mateus afirmam que, o ser humano em algum momento estará de frente
com seu criador a fim de responder pelo que tem feito com sua vida e as
implicações sobre a criação do seu Senhor.
Portanto a terra caminha para seus estertores, porém devemos considerar
que esse não seria o intento, caso o ser humano tivesse uma relação de
obediência ao Criador e conseqüentemente respeito pela criação.
O grande desafio do cristão é sem dúvida, num contexto em que os valores
sociais não se coadunam com a mente de Deus, é primeiro buscar essa relação
cada vez mais apurada para entender todo processo que o próprio Senhor colocou
em prática para salvar sua criação. E segundo não calar frente ao que mais tem
prejudicado a relação divina com toda criação, a ganância que subiu tanto que
ultrapassou a capacidade de um raciocínio lógico, a ponto de praticar a
destruição generalizada.
Concluímos, portanto que a terra é um elemento que devido à ação
irracional do ser humano, caminha para seu fim, e a ação do cristão deve
permear desde a defesa da criação, até a conscientização humana do seu egoísmo.
Referências bibliográficas
BÍBLIA, A Bíblia
Sagrada, português, traduzida por João
Ferreira de Almeida, Edição Revista e Atualizada no Brasil. 2 ed. Barueri-SP:
SBB, 2006
domingo, 12 de janeiro de 2014
VOCAÇÃO PASTORAL E ESPIRITUALIDADE
Por
Jorge
Barreiros Alves
Quando o assunto é ministério
pastoral é necessário ter uma visão de vocação a partir do referencial bíblico
profético sendo que a base exemplar dessa profecia recai sobre o modelo
Jesuino.
A adoração a Deus passa pela liturgia do púlpito onde cânticos, orações e
leituras fazem parte do viés orientador e consagrador do fiel. Porém esse cenário
deve ser o pano de fundo místico que promove a vida diária, que está sujeita
aos percalços e desafios relacionados ao serviço vocacional.
O ministério pastoral corre o risco
de absorver um sentido idolátrico quando se configura somente ao púlpito
passando ao profissionalismo. Esse modus vivendi muito pouco edifica, primeiro
por desenhar certa distância da vida das pessoas, e depois a visão destas para
esse ministério tende a ser de crítica negativa. Era esse estereótipo que os
fariseus se reduziram e foram reprovados por Jesus.
Não obstante, o morrer e o viver com
Jesus nos lembram da cruz. O viver em Cristo exige uma reflexão do que
significa morrer para o mundo. A vocação pastoral requer atenção para a
transformação de identidade “humana” para a espiritual que encontra na
escravização do egoísmo (I Co. 9.27) o modelo exemplar de serviço tendo o
próximo como foco da atenção e cuidado.
Os sofrimentos de Jesus tem seu
prolongamento no ministério pastoral, e é parte integrante da vocação. Nesse
sentido se vê através dessa continuidade específica, que os injustos reconhecem
a salvação pelo sofrimento de Cristo e seu Corpo, que é a Igreja (Cl 1.24).
A visão de um Deus que se humaniza
sofrendo junto com sua criação mostra que Ele não é apenas um Deus
contemplador, mas aquele que se junta ao sofrimento da sua própria criação. Sua
paixão pelos seres humanos e identificação não significa apenas vivenciar o
sofrimento, mas oferecer um propósito de vida a fim de retirá-lo do desgosto em
que vive (PEREIRA, p. 46. 2002).
A missão do ministério pastoral deve
ter a vocação prioritária de como se enxerga a pessoa e suas mais profundas
dificuldades que não se estanca somente no pastor, mas se prolonga pelo serviço
através de toda a comunidade de fé.
A libertação e o resgate da vida
proposto por Jesus remetem ao cuidado de inclusão de pessoas marginalizadas. Ainda
dentro da sociedade latino americana do século XXI, o tratamento parcial para
com mulheres, crianças, nível econômico, cor da pele ainda tem grande força. A
espiritualidade que identifica todos como iguais em imagem diante de Deus, não
pode negligenciar esse direito.
A vocação pastoral, portanto, é uma
abnegação quanto aos requisitos do mundo. Ela parte do princípio tendo a
espiritualidade como protagonista da missão evangelizadora para com esse mundo
que perdeu o sentido e orientação. A fé a esperança e o amor são as bases de
sustentação da missão evangélica, onde o amor deve testemunhar a fé e a
esperança do cristão.
A condição que nossa comunidade
vivencia está no desafio de rever o quadro exposto de renuncia do ego em favor
de uma integração e inclusão através do amor e igualdade social.
Os
ministérios essenciais
Compreende-se como essenciais ou
fundamentais o exercício pastoral da administração dos sacramentos, proclamação
da palavra, o ensino para formação e a intercessão.
O sacramento da santa ceia que
simboliza o mistério da unidade de Deus com o ser humano, ou mais precisamente
a identificação do Criador com sua criação, denotam significado que requer
reflexão dessa identidade entre os seres humanos. A compreensão da graça e
misericórdia de Deus sobre o ser humano em estado de miséria vital proclama a
redenção e solidariedade do cuidado pastoral junto à realidade humana. A
perspectiva de que Deus se tornou humano faz a graça se humanizar.
O ministério carismático pastoral
tem a proclamação da palavra como elemento norteador de edificação e
orientação. Ela se processa através do profeta, porém se estende também para a
igreja. A pregação da palavra também tem vínculo na oração que se manifesta
também como um exercício espiritual de vários significados. Mas ela tem uma
conotação com a proclamação da palavra quando tem o objetivo de intermediar a
pessoa desfalecida à Deus.
Ministérios
prioritários
A habilidade de organizar a igreja
exige do ministério pastoral capacidades e virtudes emanadas do Espírito Santo
que serão sustentáculo para edificação da igreja.
A capacidade de unir sempre foi
desafio para o ministério pastoral. Desvendar esse mistério requer profundo
conhecimento da natureza divina, que contrasta com a natureza decaída humana. Unir
tem um sentido também de perda, para ganhar.
Paulo escreve que o que para ele era
lucro, considerou perda para ganhar a Cristo (Fp. 3.7,8). Estevão preferiu ser
apedrejado para unidade da igreja que promover negação e facção.
Nunca foi tão importante como hoje o
ministério de unir (colocar junto), quando a concorrência é parte que integra o
cotidiano das pessoas, inclusive a esfera eclesiástica. Unir é reconhecer as
diferenças convergindo-as para o sentido de constância e firmeza nos seus
propósitos de fé diante de Deus, que criou a todos conforme sua própria imagem.
O ministério de autoridade da igreja não tem
nenhuma identificação com autoritarismo, pelo contrário o espelho de Paulo é
bastante claro ao escrever que a autoridade que o Senhor dá tem o objetivo de
edificação e não destruição (2Co. 10,8). A hierarquia da igreja é estabelecida
pro organização da mesma, conforme a ordem, mas ela só se manifesta como
autoridade advinda de Deus quando tem profundo vínculo com o cuidado pessoal e
das pessoas em geral.
Para nossas considerações finais
queremos relembrar as palavras de Jesus quando diz que é pelos frutos que se
devem reconhecer as pessoas (MT. 7.20). O ministério pastoral precisa lembrar
que os elementos essenciais e prioritários integram a vocação. Esses princípios
tem como objeto tratar conjuntamente com as pessoas os seus problemas
espirituais. Ao estabelecer essa conduta vivencia-se através da fé, a obra
restauradora de Nosso Senhor Jesus Cristo junto à comunidade carente.
Quando essa prática é vivida pela comunidade renuncia-se a exclusão e o
poder centrado na instituição ou ainda no líder religioso.
Referências bibliográficas
UMESP.
Universidade Metodista de São Paulo. Organização de Suely Xavier dos Santos, 3ª
edição. São Bernardo do Campo: edição do autor, 2013, 104 p. (Cadernos
Didáticos Metodista-Campus EAD).
BÍBLIA, Bíblia Sagrada. Traduzida em português
por João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 2ª edição,
Barueri – SP SBB, 2011.
Texto disponível
no Google livros <PEREIRA. José Carlos, O
paradoxo da Cruz: o diabólico e o simbólico; um estudo da teologia da cruz.
São Paulo: arte e ciência, 2002.> acesso em 09/12/2013
Texto disponível
no Google Livros <COSTA. Paulo Cezar, (org) Sacramentos e evangelização. Edições Loyola, São Paulo, 2004>
acesso em 09/12/2013.
Matrícula
201973 Módulo TEO_EAD 7 2
2013 Polo Itanhaém
Assinar:
Postagens (Atom)