Por
Jorge
Barreiros Alves
Quando o assunto é ministério
pastoral é necessário ter uma visão de vocação a partir do referencial bíblico
profético sendo que a base exemplar dessa profecia recai sobre o modelo
Jesuino.
A adoração a Deus passa pela liturgia do púlpito onde cânticos, orações e
leituras fazem parte do viés orientador e consagrador do fiel. Porém esse cenário
deve ser o pano de fundo místico que promove a vida diária, que está sujeita
aos percalços e desafios relacionados ao serviço vocacional.
O ministério pastoral corre o risco
de absorver um sentido idolátrico quando se configura somente ao púlpito
passando ao profissionalismo. Esse modus vivendi muito pouco edifica, primeiro
por desenhar certa distância da vida das pessoas, e depois a visão destas para
esse ministério tende a ser de crítica negativa. Era esse estereótipo que os
fariseus se reduziram e foram reprovados por Jesus.
Não obstante, o morrer e o viver com
Jesus nos lembram da cruz. O viver em Cristo exige uma reflexão do que
significa morrer para o mundo. A vocação pastoral requer atenção para a
transformação de identidade “humana” para a espiritual que encontra na
escravização do egoísmo (I Co. 9.27) o modelo exemplar de serviço tendo o
próximo como foco da atenção e cuidado.
Os sofrimentos de Jesus tem seu
prolongamento no ministério pastoral, e é parte integrante da vocação. Nesse
sentido se vê através dessa continuidade específica, que os injustos reconhecem
a salvação pelo sofrimento de Cristo e seu Corpo, que é a Igreja (Cl 1.24).
A visão de um Deus que se humaniza
sofrendo junto com sua criação mostra que Ele não é apenas um Deus
contemplador, mas aquele que se junta ao sofrimento da sua própria criação. Sua
paixão pelos seres humanos e identificação não significa apenas vivenciar o
sofrimento, mas oferecer um propósito de vida a fim de retirá-lo do desgosto em
que vive (PEREIRA, p. 46. 2002).
A missão do ministério pastoral deve
ter a vocação prioritária de como se enxerga a pessoa e suas mais profundas
dificuldades que não se estanca somente no pastor, mas se prolonga pelo serviço
através de toda a comunidade de fé.
A libertação e o resgate da vida
proposto por Jesus remetem ao cuidado de inclusão de pessoas marginalizadas. Ainda
dentro da sociedade latino americana do século XXI, o tratamento parcial para
com mulheres, crianças, nível econômico, cor da pele ainda tem grande força. A
espiritualidade que identifica todos como iguais em imagem diante de Deus, não
pode negligenciar esse direito.
A vocação pastoral, portanto, é uma
abnegação quanto aos requisitos do mundo. Ela parte do princípio tendo a
espiritualidade como protagonista da missão evangelizadora para com esse mundo
que perdeu o sentido e orientação. A fé a esperança e o amor são as bases de
sustentação da missão evangélica, onde o amor deve testemunhar a fé e a
esperança do cristão.
A condição que nossa comunidade
vivencia está no desafio de rever o quadro exposto de renuncia do ego em favor
de uma integração e inclusão através do amor e igualdade social.
Os
ministérios essenciais
Compreende-se como essenciais ou
fundamentais o exercício pastoral da administração dos sacramentos, proclamação
da palavra, o ensino para formação e a intercessão.
O sacramento da santa ceia que
simboliza o mistério da unidade de Deus com o ser humano, ou mais precisamente
a identificação do Criador com sua criação, denotam significado que requer
reflexão dessa identidade entre os seres humanos. A compreensão da graça e
misericórdia de Deus sobre o ser humano em estado de miséria vital proclama a
redenção e solidariedade do cuidado pastoral junto à realidade humana. A
perspectiva de que Deus se tornou humano faz a graça se humanizar.
O ministério carismático pastoral
tem a proclamação da palavra como elemento norteador de edificação e
orientação. Ela se processa através do profeta, porém se estende também para a
igreja. A pregação da palavra também tem vínculo na oração que se manifesta
também como um exercício espiritual de vários significados. Mas ela tem uma
conotação com a proclamação da palavra quando tem o objetivo de intermediar a
pessoa desfalecida à Deus.
Ministérios
prioritários
A habilidade de organizar a igreja
exige do ministério pastoral capacidades e virtudes emanadas do Espírito Santo
que serão sustentáculo para edificação da igreja.
A capacidade de unir sempre foi
desafio para o ministério pastoral. Desvendar esse mistério requer profundo
conhecimento da natureza divina, que contrasta com a natureza decaída humana. Unir
tem um sentido também de perda, para ganhar.
Paulo escreve que o que para ele era
lucro, considerou perda para ganhar a Cristo (Fp. 3.7,8). Estevão preferiu ser
apedrejado para unidade da igreja que promover negação e facção.
Nunca foi tão importante como hoje o
ministério de unir (colocar junto), quando a concorrência é parte que integra o
cotidiano das pessoas, inclusive a esfera eclesiástica. Unir é reconhecer as
diferenças convergindo-as para o sentido de constância e firmeza nos seus
propósitos de fé diante de Deus, que criou a todos conforme sua própria imagem.
O ministério de autoridade da igreja não tem
nenhuma identificação com autoritarismo, pelo contrário o espelho de Paulo é
bastante claro ao escrever que a autoridade que o Senhor dá tem o objetivo de
edificação e não destruição (2Co. 10,8). A hierarquia da igreja é estabelecida
pro organização da mesma, conforme a ordem, mas ela só se manifesta como
autoridade advinda de Deus quando tem profundo vínculo com o cuidado pessoal e
das pessoas em geral.
Para nossas considerações finais
queremos relembrar as palavras de Jesus quando diz que é pelos frutos que se
devem reconhecer as pessoas (MT. 7.20). O ministério pastoral precisa lembrar
que os elementos essenciais e prioritários integram a vocação. Esses princípios
tem como objeto tratar conjuntamente com as pessoas os seus problemas
espirituais. Ao estabelecer essa conduta vivencia-se através da fé, a obra
restauradora de Nosso Senhor Jesus Cristo junto à comunidade carente.
Quando essa prática é vivida pela comunidade renuncia-se a exclusão e o
poder centrado na instituição ou ainda no líder religioso.
Referências bibliográficas
UMESP.
Universidade Metodista de São Paulo. Organização de Suely Xavier dos Santos, 3ª
edição. São Bernardo do Campo: edição do autor, 2013, 104 p. (Cadernos
Didáticos Metodista-Campus EAD).
BÍBLIA, Bíblia Sagrada. Traduzida em português
por João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 2ª edição,
Barueri – SP SBB, 2011.
Texto disponível
no Google livros <PEREIRA. José Carlos, O
paradoxo da Cruz: o diabólico e o simbólico; um estudo da teologia da cruz.
São Paulo: arte e ciência, 2002.> acesso em 09/12/2013
Texto disponível
no Google Livros <COSTA. Paulo Cezar, (org) Sacramentos e evangelização. Edições Loyola, São Paulo, 2004>
acesso em 09/12/2013.
Matrícula
201973 Módulo TEO_EAD 7 2
2013 Polo Itanhaém
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