sexta-feira, 14 de março de 2014

Igrejas Eletrônicas

                                         
                                               Por
                                               Jorge Barreiros Alves


            A realidade teológica brasileira é um assunto que não podemos menosprezar, nem tampouco deixar de analisar. Do ponto de vista teológico econômico e também teológico social. A pergunta que resulta dessa evolução desordenada e ainda confusa da nova forma da missão da igreja, que é a evangelização através da mídia é: qual será o caldo que a igreja e sociedade sorverão e como se modelará daqui por diante.
            Nessa pequena coluna seria impossível analisar toda estrutura que sustenta essa nova forma de evangelização, mas é possível de forma sintética visualizar o panorama que já existe com a inserção da TV da internet e da mídia escrita.
            Em primeiro lugar todo espectador de TV não pode ser ignorante a ponto de desconhecer que todo produto veiculado pelo meio televisivo tem um preço. Esse preço está atrelado ao mecanismo de marketing exigido para que o produto tenha sua oferta suficientemente coberta.
            Partindo desse pressuposto não existe dificuldade de reconhecer que o culto (adoração a Deus) por esses veículos tem seu feitio formalizado a reboque dos desejos, necessidades e ambições do coração humano, (para ser absorvido e comprado) que conforme a revelação bíblica profética é desesperadamente corrupto (Jr 17.9), assim como desde os primórdios também é reconhecidamente maligno os desígnios humano (Gn 8.21).
            Ao analisarmos a teologia econômica da igreja constituída pela doutrina apostólica, com aprovação testemunhal de Jesus (At 4), em comparação com o novo segmento cristão mediado pela mídia, especialmente a televisiva percebemos,
            a) tinham um só pensamento (unidade).
            b) a vida dos que criam na ressurreição de Jesus testemunhada pelos apóstolos era de abundante graça (ajudavam-se mutuamente).
            c) os que tinham mais posses dividiam com os menos favorecidos.
            d) igrejas distantes (Macedônia) cobriam a dificuldade de outra mais pobre (Judéia), 2 Co 8.14, para que houvesse igualdade.
            Claramente existe já um desafio para o cristão atual viver na nova dimensão urbana e transformada e ser solidário num sistema político, econômico, social e hostil, porém não é concebível estimular a alienação, egoísmo, discriminação social, soberba, arrogância religiosa de uma forma oculta entre os discursos, músicas e shows e promessas que não condizem com os valores do Reino de Deus.
            Como enxergar essas verdades quando se promete o céu na troca de compra de CDs, livros, revistas, dízimos, ofertas que conforme o valor tem uma benção especializada para cada uma delas?
            A promessa de sucesso financeiro, posse de bens de consumo, proeminência social, progresso na carreira profissional, entre tantas, estão na base da comunhão com Deus. O conceito humano de ser maior e, sobretudo superior socialmente anda ao avesso da advertência de Jesus aos discípulos “quem quer ser maior no Reino dos céus deve ser o menor, deve ser aquele que serve”
            Percebe-se que a teologia tem uma íntima relação com a economia, porém no segmento midiático ela se modela ao mercado do consumo, sem se importar com o próximo.
            Os ideais divinos teológico-econômicos expostos por Jesus que se concentra na “busca primeiramente do Reino de Deus e todas as outras coisas lhes serão acrescentadas” foram simplesmente removidas para como diz Jung Mo Sung*,  “buscai primeiro as coisas do reino dos homens e receberás Deus como brinde”.
            A questão é: como a nova comunidade eclesiástica que se locupleta pela teologia midiática do sucesso a todo CUSTO responderá quando lhe for pedido por Jesus para “carregar sua cruz”?
            Já encontramos muitos desiludidos com a graça, e não podemos esconder o descontentamento com uma “teologia” que enriquecem alguns a custo do empobrecimento da maioria. Essa tese está muito bem conectada com o capitalismo perverso implantado no Brasil ao qual Roberto Campos, um dos seus idealizadores defende o ideal de que é necessário sacrificar pessoas pobres em favor do lucro “*

*SUNG. Jung Mo, Desejo, Mercado e Religião. Petrópolis, Vozes, 1997.
             
           
           
                                                         

terça-feira, 4 de março de 2014

EXISTE RESPOSTA NO DESESPERO?

                 


                                                                      Por
                                                                      Jorge Barreiros Alves             


            O texto que elaboramos tem como objetivo abordar os conceitos de Viktor Frankl, que tenta responder às perguntas que envolvem a essência do ser humano. Entre elas talvez a mais importante e complexa seja a que exige uma resposta quando o ser humano se encontra num estado de desespero. Também abordaremos o tema resiliência e como pode ser utilizada na prática do aconselhamento pastoral.
            Frankl foi o criador de uma das ramificações da psicologia. A logoterapia busca o tratamento das pessoas que estão em estado de conflito existencial. A logoterapia tem por definição o cuidado, ou a terapia do sentido da vida, ou a busca por um sentido da vida. Um dos pressupostos da logoterapia é que o interesse do ser humano não é o evitar a dor ou ter prazer, mas ter um sentido de vida.
            Como a própria definição, a pessoa que entra em estado de desespero, que podemos também reconhecer como estado de sofrimento tem a possibilidade de ser acometido por vários sintomas. Entre os mais prováveis encontra-se a depressão e até o suicídio.
Conforme Frankl, os sintomas acontecem porque a pessoa não encontra um sentido ou resposta para o seu sofrimento. Uma de suas bases conceituais é: “O homem pode suportar tudo, menos a falta de sentido para a vida”.
O sentido de vida pode ser encontrado na esfera da realização pessoal, como fazer algo ou criar alguma coisa. Frankl conta experiências dos tempos em que viveu nos campos de concentração de Auschwitz.
Pessoas que haviam deixado uma atividade que achavam importantes teriam uma forte esperança de voltarem para a liberdade. Algumas daquelas que se encontravam à beira do suicídio, Frankl conseguiu fazê-las lembrar de coisas ou parentes que esperavam por elas.
O sentido de vida também está presente na área do amor, ou seja, no relacionamento. O amar alguém, ou entregar-se a uma causa importante.
Porém no estado de desespero ou no sofrimento, ou no limite da vida pode-se também encontrar sentido na vida. Esse estado que pode ser o mais desafiador para o ser humano, quando se encontra respostas pode se tornar abertura para novos horizontes. A forma como se reage e como se interpreta esse estado é a responsável pela postura e definição da felicidade e paz consciente.
Frankl considera que a responsabilidade pessoal, ou seja, a resposta que a pessoa dá conforme o estado que se encontra pode criar novo sentido para viver, ou até para os limites da vida.
Exemplos de acidentados que ficaram paraplégicos ou tiveram o funcionamento do corpo totalmente afetado reestruturaram-se para se dedicarem a novos estudos e atividades.
Exemplos de judeus que caminharam para a câmara de gás com a cabeça levantada sem desespero eram aqueles que tinham em suas consciências um significado para aquele estado, como “dar a vida à Deus”.
Frankl afirma a incapacidade de a pessoa ser livre biológica, social e psicologicamente, porém existe a liberdade de enfrentar os desafios. Se não é possível mudá-los pode-se mudar a forma de encará-los.
O grande desafio que se percebe e conforme Frankl aborda é a dificuldade de se encontrar nos segmentos da atual sociedade, um sentido para superar os traumas.
A Resiliência e o aconselhamento pastoral
A palavra resiliência é bastante nova no vocabulário popular brasileiro. Por ser um termo que tem origem na linguagem da Física, não é muito conhecida popularmente.
Nos dicionários da língua portuguesa ela designa a particularidade apresentada por certos corpos quando estes voltam à forma original, depois de terem sofrido deformação elástica.
Essa definição como dissemos, tem ressonância com a Física, que reconhece a característica mecânica que se encontra nos materiais ao passarem por choques e resistirem sem deformação.
Para a Filosofia significa a capacidade de auto-restabelecimento e de resistência às doenças mentais em face de situações adversas ou indutoras de grande ansiedade, e o controle das emoções.
            Diferentemente do brasileiro, esse termo é bastante conhecido em outros países e é usado nos círculos sociais como define a American Psycohological Associaton: é o processo pessoal de se adaptar com sucesso a experiências de vida difíceis ou desafiadoras, especialmente através da flexibilidade mental emocional e comportamental e ajustamento às demandas externas e internas (APA, 2010, p.809). Competência de indivíduos ou organizações de enfrentar e até aprender com as adversidades e desafios.
            A Psicologia ainda define como a capacidade de o indivíduo saber lidar com problemas, superar obstáculos, resistir à pressão de situações adversas, choque, stress, etc., sem entrar em surto psicótico.
            A partir do contexto da espiritualidade e fé, o termo pode ser inovador, mas não desconhecida sua praticidade.
Embora o tema possa nos levar a reconhecer desenvolvimento de interpretações teológicas equivocadas, se reconhece particularmente a Bíblia como o fenômeno de “dar vida em abundância” proclamada por Jesus. “Ser forte na fraqueza” pelo Apóstolo Paulo, entre as mais variadas mensagens de adaptar-se à vida, carregar a cruz e encontrar sentido em todos os seus desdobramentos, inclusive na morte.
No campo do aconselhamento pastoral, o aspecto de aceitação incondicional daquele que sofre, do marginalizado, como escutar, dar carinho, valorizar é a primeira questão que deve ser abordada numa perspectiva de mensagem continuada do amor de Deus refletida no plano humano, que não significa aceitar todos seus comportamentos.
A empatia é a qualidade que vai produzir a identificação para comunicação e entrada no mundo misterioso do indivíduo.

Considerações finais
Para Frankl, portanto, o desespero é um estado que está no psicológico. Quer dizer com isso que, quando não existe uma resposta, ou um sentido para aquilo que se está experimentando aí aparece o desespero.
O tratamento dessa patologia encontra bases na resiliência, e a pastoral na sua atribuição mais nobre deve reconhecer os princípios elementares, a fim de edificar ou reconstruir a pessoa nos moldes relacionais humanos e convergidos para o Deus de amor.

Referências
Guia de estudo TEO_7 2semestre2013
Tele-aula de 19/08/2013
Sites
http//www.youtube.com/watch?v=5cd2KANOJuU visitado em 10/09/2013
http//www.youtube.com.watch?=mBxVZTbi6q4&feature=related visita em 10/09/2013
www.dicio.com.br/resiliencia  visita em 09/09/2013
PT.wikipedia.org/wiki/resiliência_(psicologia) visita em 10/092013
HOCH. Lothar C, Suzana M. Rocca L. (orgs). Sofrimento, resiliência e Fé. Editora Sinodal, São Leopoldo/RS. 2007
BÍBLIA. A Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2ª Ed. Barueri/SP. SBB, 2001
                                                                                                                                






















                             





















Matrícula  201973             Módulo TEO_EAD 7 2semestre 2013    Polo Itanhaém

O SERVO PASTOR uma visão bíblica do ministério poimênico





Introdução


O ministério pastoral ao longo da história da Igreja vem recebendo influência das mais diversas conformações tanto políticas como econômicas. Além de se envolver com o poder dominante, especialmente depois da sua estatização pelo império romano, também pode se reconhecer marcas negativas das ciências no pastorado.
 As implicações que estas inserções provocaram no ministério pastoral colocam certas dúvidas, não apenas no âmbito da ética e da confiança, mas também e pior, na forma como a pessoa humana se reconhece diante da defesa de inúmeras teorias, que abrem brechas no imaginário possibilitando a confusão até no mais crédulo cristão.
Em nossa introdução queremos reconhecer o maior desafio da atualidade que envolve o ministério pastoral, que se deve considerar o mais importante diante do contexto bíblico. A preocupação do cuidado que Jesus ressaltou que os apóstolos deram continuidade. A preocupação com o rebanho das ovelhas conforme era proposto deste o Antigo Testamento, “Procura conhecer o estado das tuas ovelhas e cuida dos teus rebanhos,” (Pr. 27. 23). A seguir entraremos no tema que a psicologia sempre tentou responder “Quem é o ser humano?”. Também abordaremos o assunto relativo ao cuidado pastoral dentro do Antigo e Novo Testamento, e finalmente vamos considerar os princípios que envolvem o cuidado e o carisma pastoral.
É sem dúvida que o ministério pastoral contemporâneo continua sendo um desafio, talvez hoje ainda seja mais sofredor considerando as transformações na sua observância, as quais produzem uma imagem de descrédito diante da sociedade.
Alguém postou num site de relacionamentos a foto da frente de uma loja de comércio de aparelhos de som, com o seguinte anúncio “Não vendemos financiado para pastores”.
Tão atual deve ser nossa atenção para as expressões de advertência na carta de Tiago, quando este se refere ao perigo de querer ser mestre movido por um espírito que demonstra interesse por qualquer outra coisa, senão o cuidado com o próximo.
O perigo de secularizar o ministério tem envolvido grande parte daqueles que se chamam pastores, mas cremos que não foram chamados. O objetivo de gerenciar uma empresa, uma loja ou qualquer outra atividade comercial está mais próximo da imaginação de certos profissionais do púlpito.
Pessoas que o orgulho, a arrogância e a ganância sufocam a personalidade de amor, de mansidão, de domínio próprio..., (Gl. 5. 22) não conseguirão cuidar de ovelhas.
Quem é o ser humano?
A pergunta em questão sempre esteve de forma subjetiva e embaraçadora na consciência humana. A definição de sua identidade como sua origem, o propósito da vida e seu fim, ou não, são meandros que desafiam o sofisticado cérebro humano. E nunca se pesquisou e discutiu tanto esse assunto como nos dias atuais.
Enquanto se procura por respostas nas ciências evolutivas, e as pesquisas biológicas reproduzem in vitro, mais se deteriora a origem e a causa humana. E a vida sendo o bem mais sagrado tem sofrido violentos ataques e julgamentos, tanto científico como pela exigência na reconfiguração que a sociedade de mercado a sujeitou.
A modernidade multiplicou a deterioração do humano, porém Brakemeir considera que a desumanização e a despersonalização sempre foi uma tendência que torna o sujeito em objeto. Entre as diversas faces da desumanização, a endemia latino americano expressa verdadeiro cinismo com relação à vida humana. O discurso não admite, mas a prática confirma (BRAKEMEIER. p. 13, 2002).
            O cuidado pastoral numa sociedade pobre economicamente e reduzida na sua capacidade intelectual, onde muitos têm sofrido manipulações pelas religiões de mercado prevê um desafio constante e árduo esforço. Isso primeiramente porque é necessário trazer à luz, as tipologias de fé idolátricas que contribuem para a continuidade da exploração humana. Segundo, os danos causados por essa dominação de consciência que coloca o objeto como locomotiva e o sujeito como vagão, aniquilando o amor e a fé.
             O cuidado com a criação é responsabilidade humana. A imagem de Deus no ser humano é considerada por Brakemeier não como se pudesse reconhecê-la fisicamente, mas de forma paralela e compreendê-la como tendo uma função de regente do mundo (BRAKEMEIER. p. 20, 2002).
            O exercício da poimênica, que se traduz no cuidado pastoral, requer que exista no pastor/a o sinal da metanóia. A mudança da cosmovisão através da experiência da fé em Jesus Cristo, que se revelam nas conhecidas asseverações quanto ao conhecer as pessoas pelos seus frutos (atitudes ou ações) devem ser refletida à luz da bíblia.
            O amor e a misericórdia de Deus concedido ao ser humano que transgrediu a si mesmo precisa ser um sentimento a ser refletido pelo/a pastor/a no seu relacionamento com a comunidade.
            Conhecer seus valores e a realidade das pessoas é o primeiro passo necessário para que exista uma interação mútua. As pessoas da comunidade, como as que vagueiam procurando um porto seguro precisam de quem reconheça seus sofrimentos e angústias.
            O cuidado pastoral no Antigo e Novo Testamento.
            A terminologia pastor está relacionada originariamente ao Antigo Testamento, assim também como legada dos antigos orientais. A atividade mais antiga de sobrevivência era cuidar dos rebanhos, que os patriarcas de Israel tinham perícia e afeto. A adaptação da função à liderança política e espiritual tem em Moisés e Davi seus mais importantes ícones de referência.
            A autoridade, ternura e carinho na relação pastor e ovelha veterotestamentária simbolizam o cuidado de Deus de forma particular como é demonstrado, por exemplo, na singeleza do Salmo 23. Também é o Deus pastor que cuida do seu povo simbolizado pelos cordeirinhos (Is. 40.11). A imagem do bom pastor também é redimensionada ao rei messiânico como encontrada em diversos textos (Sl. 78.70-72, Ez. 37.24).
            O legado do pastor começou a ter nos responsáveis pela orientação espiritual como profetas e sacerdotes a sua nomenclatura redefinida como aquele que vai intermediar a relação entre Deus e os homens (Jr. 2.8, 10.21, 23.1,2).
            Não obstante, os pastores - sacerdotes profetas veterotestamentário vão surgindo da comunidade de fé e a negligência na relação pastor ovelha começa a aparecer, sendo necessárias advertências para o cuidado até de forma contundente (Ez. 34). 
            O advento de Cristo e a formação da igreja trouxeram uma nova visão do pastorado. Era preciso organizar também a igreja, e o pastor agora se torna guia, orientador e de certa forma responsável dentro de uma conjuntura democrática pelo governo eclesiástico (At.14.23), pois não existia uma relação de dependência política e controle externo.
            O princípio no Novo Testamento se refere ao pastor como um ministério de serviço, diferente de uma atividade profissional. A parábola do bom pastor (Jo. 10) é o modelo do pastor conforme a vontade divina, onde o próprio Jesus é o modelo de obra e vida que deve ser a referência a ser seguida.
            A pastoral poimênica está vinculada a doação da vida por amor dos que estão debaixo do seu cuidado. O bom pastor sempre se desgastará para cuidar do rebanho como exemplifica Paulo (I Co. 12.15). O pastor é aquele que vai adiante, que tem a coragem de encarar dificuldades abrindo o caminho e que caminha ao lado vivenciando as preocupações, angústias e tristezas das pessoas.
            Caminhar junto restaurando a alma através da fé no evangelho e ensinando o amor de Deus para com o ser humano e toda sua criação espelha a noção do cuidado pastoral no Novo Testamento.
            O cuidado e o carisma pastoral
            Jesus legou a sua igreja tudo o que é necessário para que ela seja o organismo vivo a produzir a ação de Deus junto ao ser humano dependente de sua restauração física e espiritual. Assim podemos reconhecer que o carisma ou dons são virtudes que integram a ação pastoral, tendo seu prolongamento no cuidado com as pessoas.
            O exemplo de Jesus o bom pastor, e a extensão dos dons carismáticos aos apóstolos, são detalhados na carta de Paulo aos efésios 4 quando são citados alguns dons que a igreja precisava reconhecer como composição da natureza do Espírito Santo. Esse pano de fundo da aplicação do carisma no ministério pastoral, sem dúvida é concedido para o aperfeiçoamento e a unidade, a fim de edificar a igreja (Corpo de Cristo).
            Não obstante, o modelo carismático do cuidado tem em Jesus o seu exemplo essencial. O bom pastor é o que se doa para edificar o que está em condições adversas. A empatia com os que tem fome, sede, enfermos, desabrigados, etc. e sua assistência, tem íntima ligação com a salvação (Mt. 25.31-46). As palavras de Jesus afiançando que a glória de Deus é inversa à cosmo visão humana está implícita em Mateus 20. 25-28, que reproduz a imagem do que serve como o maior dentro da dimensão divina.
            Jesus não apenas ensinou pelas palavras, mas testemunhou-as exercendo o carisma de servir com humildade como no episódio em que se prontificou lavar os pés dos discípulos (Jo. 13.1-17). Essa atitude iria confrontar o preconceito dos seus discípulos que ainda se preocupavam em formar sua personalidade sob consideração humana e farisaica, ao aspirarem um posicionamento dentre si de superioridade (Lc. 9.46).
            A atenção carismática de cuidar das necessidades mais prementes das pessoas é também ressaltada na atuação de Jesus quando relativiza a instituição confrontando os fariseus em prol desse cuidado.
            Entre o guardar o sábado e tratar a enfermidade do homem que tinha a mão ressequida Ele toma a posição de curar (Lc. 6. 6, 9,10). Quando os discípulos tinham fome, não se poupou pela tradição e defendeu-os das críticas porque trabalharam na colheita das espigas no dia de sábado (Mt. 12.1). Entre apedrejar a mulher adúltera e perdoá-la, Ele fica com o perdão (Jo. 8) (LIBÃNIO, p. 87).
            O ministério carismático ressaltando o cuidado torna-se uma reflexão importante para a atualidade pastoral, quando o servir tem ficado em baixa dentro do discurso eclesiástico. Repensarmos o ministério do ponto de vista pastoral, como servos de Deus que foram vocacionados para servir é o desafio num contexto globalizado voltado para o sucesso no conceito humano das estatísticas.
            Considerações finais
            Quando se enxerga o pastor nos moldes atuais, principalmente os que procuram sucesso tendo como estrutura para se firmarem os acordos que são tratados nos bastidores e portas fechadas de salas de políticos entre outros, e voltam-se os olhos para as escrituras, não se esconde a decepção. Paulo asseverava aos judeus legalistas que o nome de Deus era blasfemado entre os gentios (Rm. 2.24) pela forma equivocada e perniciosa como reproduziam na prática, os métodos de seu Deus.
            Ser um servo de Deus no ministério pastoral tem um significado que vai além de teorizar o sentido das escrituras. O ministério pastoral precisa ter empatia com a necessidade do ser humano.  Procurar à luz da fé direcionar dúvidas que bombardeiam diariamente a mente que navega nas informações da ciência e da cultura. Informações que são retiradas de teorias que, na maioria dos casos não tem nenhuma base de logicismo para edificar uma fé construtiva tanto pessoal como coletiva.
            A imagem do bom pastor retratada no Antigo Testamento como oriundo da atividade de sobrevivência vai sendo direcionado ao líder com responsabilidade de cuidar do povo através do seu conhecimento e comunhão com Deus. As mensagens proféticas revelam a espera pelo messias e bom pastor que cuidará das ovelhas de modo a satisfazer suas dúvidas, sofrimento e angústias.
            Assim Jesus se mostra o bom pastor que ensina com as palavras e o testemunho. A demonstração de servir e cuidar dos seus discípulos e das pessoas confronta a visão humana de pretensões de orgulho e egoísmo.
            O modelo carismático de cuidado pastoral tem em Jesus seu amparo e sustentação, e a teoria e a tradição religiosa, que era o suporte dos fariseus são relativizadas em favor da atenção e preocupação com as necessidades básicas do ser humano. O nutrir a fome, o cuidado em curar as enfermidades, a ênfase no perdão ao contrário de condenar aqueles que eram excluídos do Templo e da sociedade era parte que integrava prioridade da sua obra.
            Portanto, o ministério pastoral que é abrangente, tem seu modelo exemplar de cuidado com as pessoas o seu foco mais importante. A ação de amor e misericórdia de Deus deve ser refletida a partir da salvação concedida na cruz de Jesus. Essa bondade que redundou na graça misericordiosa é lembrada pelo apóstolo Paulo para os cristãos da igreja de Roma (Rm. 2.4). Essa bondade pela miséria do ser humano deve ser refletida nos seus seguidores como marca de verdadeiros cristãos.

Referências bibliográficas
UMESP. Universidade Metodista de São Paulo. Organização de Suely Xavier dos Santos. 3ª edição. São Bernardo do Campo. Ed. do autor, 2013, 104 p. (Cadernos didáticos Metodista-Campus EAD).
BÍBLIA, Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Atualizada no Brasil. 2ª edição. Barueri-SP. SBB, 2011.
Texto disponível em <http//www.metodista.br/pcc/caminhando/caminhando-17/O-carisma-dos –ministerios-dados-a-igreja> acesso em 30/11/2013.
Texto disponível no Google livros <BRAKEMEIER. Gottfried. O Ser humano em busca de identidade: contribuições para uma antropologia teológica. São Leopoldo, Sinodal: São Paulo; Paulus, 2002.> acesso em 04/12/2013.
Texto disponível no Google livros <LIBÃNIO. João B, Os carismas da Igreja do terceiro milênio: discernimento, desafios e práxis. Ed. Loyola. São Paulo/SP, 2007> acesso em 04/12/2013.
Texto disponível no Google livros <GULA. Richard M, Ética no ministério pastoral, 2ª Ed. Loyola, São Paulo-Brasil, 2001> acesso em 02/12/2013.
Texto disponível no Google livros <FLORES. José H. Prado, Formação de Líderes. Renovação carismática. E. Loyola. São Paulo/SP, 1996> acesso em 01/12/2013.
Texto disponível no Google livros <MELO. Antonio Alves de, A evangelização no Brasil: dimensões teológicas e desafios pastorais. Gregoryan University Press. Roma, 1996> acesso em 02/12/2013.

           















Matrícula 201973             Módulo TEO_EAD 7 2 2013               Polo Itanhaém