terça-feira, 4 de março de 2014

EXISTE RESPOSTA NO DESESPERO?

                 


                                                                      Por
                                                                      Jorge Barreiros Alves             


            O texto que elaboramos tem como objetivo abordar os conceitos de Viktor Frankl, que tenta responder às perguntas que envolvem a essência do ser humano. Entre elas talvez a mais importante e complexa seja a que exige uma resposta quando o ser humano se encontra num estado de desespero. Também abordaremos o tema resiliência e como pode ser utilizada na prática do aconselhamento pastoral.
            Frankl foi o criador de uma das ramificações da psicologia. A logoterapia busca o tratamento das pessoas que estão em estado de conflito existencial. A logoterapia tem por definição o cuidado, ou a terapia do sentido da vida, ou a busca por um sentido da vida. Um dos pressupostos da logoterapia é que o interesse do ser humano não é o evitar a dor ou ter prazer, mas ter um sentido de vida.
            Como a própria definição, a pessoa que entra em estado de desespero, que podemos também reconhecer como estado de sofrimento tem a possibilidade de ser acometido por vários sintomas. Entre os mais prováveis encontra-se a depressão e até o suicídio.
Conforme Frankl, os sintomas acontecem porque a pessoa não encontra um sentido ou resposta para o seu sofrimento. Uma de suas bases conceituais é: “O homem pode suportar tudo, menos a falta de sentido para a vida”.
O sentido de vida pode ser encontrado na esfera da realização pessoal, como fazer algo ou criar alguma coisa. Frankl conta experiências dos tempos em que viveu nos campos de concentração de Auschwitz.
Pessoas que haviam deixado uma atividade que achavam importantes teriam uma forte esperança de voltarem para a liberdade. Algumas daquelas que se encontravam à beira do suicídio, Frankl conseguiu fazê-las lembrar de coisas ou parentes que esperavam por elas.
O sentido de vida também está presente na área do amor, ou seja, no relacionamento. O amar alguém, ou entregar-se a uma causa importante.
Porém no estado de desespero ou no sofrimento, ou no limite da vida pode-se também encontrar sentido na vida. Esse estado que pode ser o mais desafiador para o ser humano, quando se encontra respostas pode se tornar abertura para novos horizontes. A forma como se reage e como se interpreta esse estado é a responsável pela postura e definição da felicidade e paz consciente.
Frankl considera que a responsabilidade pessoal, ou seja, a resposta que a pessoa dá conforme o estado que se encontra pode criar novo sentido para viver, ou até para os limites da vida.
Exemplos de acidentados que ficaram paraplégicos ou tiveram o funcionamento do corpo totalmente afetado reestruturaram-se para se dedicarem a novos estudos e atividades.
Exemplos de judeus que caminharam para a câmara de gás com a cabeça levantada sem desespero eram aqueles que tinham em suas consciências um significado para aquele estado, como “dar a vida à Deus”.
Frankl afirma a incapacidade de a pessoa ser livre biológica, social e psicologicamente, porém existe a liberdade de enfrentar os desafios. Se não é possível mudá-los pode-se mudar a forma de encará-los.
O grande desafio que se percebe e conforme Frankl aborda é a dificuldade de se encontrar nos segmentos da atual sociedade, um sentido para superar os traumas.
A Resiliência e o aconselhamento pastoral
A palavra resiliência é bastante nova no vocabulário popular brasileiro. Por ser um termo que tem origem na linguagem da Física, não é muito conhecida popularmente.
Nos dicionários da língua portuguesa ela designa a particularidade apresentada por certos corpos quando estes voltam à forma original, depois de terem sofrido deformação elástica.
Essa definição como dissemos, tem ressonância com a Física, que reconhece a característica mecânica que se encontra nos materiais ao passarem por choques e resistirem sem deformação.
Para a Filosofia significa a capacidade de auto-restabelecimento e de resistência às doenças mentais em face de situações adversas ou indutoras de grande ansiedade, e o controle das emoções.
            Diferentemente do brasileiro, esse termo é bastante conhecido em outros países e é usado nos círculos sociais como define a American Psycohological Associaton: é o processo pessoal de se adaptar com sucesso a experiências de vida difíceis ou desafiadoras, especialmente através da flexibilidade mental emocional e comportamental e ajustamento às demandas externas e internas (APA, 2010, p.809). Competência de indivíduos ou organizações de enfrentar e até aprender com as adversidades e desafios.
            A Psicologia ainda define como a capacidade de o indivíduo saber lidar com problemas, superar obstáculos, resistir à pressão de situações adversas, choque, stress, etc., sem entrar em surto psicótico.
            A partir do contexto da espiritualidade e fé, o termo pode ser inovador, mas não desconhecida sua praticidade.
Embora o tema possa nos levar a reconhecer desenvolvimento de interpretações teológicas equivocadas, se reconhece particularmente a Bíblia como o fenômeno de “dar vida em abundância” proclamada por Jesus. “Ser forte na fraqueza” pelo Apóstolo Paulo, entre as mais variadas mensagens de adaptar-se à vida, carregar a cruz e encontrar sentido em todos os seus desdobramentos, inclusive na morte.
No campo do aconselhamento pastoral, o aspecto de aceitação incondicional daquele que sofre, do marginalizado, como escutar, dar carinho, valorizar é a primeira questão que deve ser abordada numa perspectiva de mensagem continuada do amor de Deus refletida no plano humano, que não significa aceitar todos seus comportamentos.
A empatia é a qualidade que vai produzir a identificação para comunicação e entrada no mundo misterioso do indivíduo.

Considerações finais
Para Frankl, portanto, o desespero é um estado que está no psicológico. Quer dizer com isso que, quando não existe uma resposta, ou um sentido para aquilo que se está experimentando aí aparece o desespero.
O tratamento dessa patologia encontra bases na resiliência, e a pastoral na sua atribuição mais nobre deve reconhecer os princípios elementares, a fim de edificar ou reconstruir a pessoa nos moldes relacionais humanos e convergidos para o Deus de amor.

Referências
Guia de estudo TEO_7 2semestre2013
Tele-aula de 19/08/2013
Sites
http//www.youtube.com/watch?v=5cd2KANOJuU visitado em 10/09/2013
http//www.youtube.com.watch?=mBxVZTbi6q4&feature=related visita em 10/09/2013
www.dicio.com.br/resiliencia  visita em 09/09/2013
PT.wikipedia.org/wiki/resiliência_(psicologia) visita em 10/092013
HOCH. Lothar C, Suzana M. Rocca L. (orgs). Sofrimento, resiliência e Fé. Editora Sinodal, São Leopoldo/RS. 2007
BÍBLIA. A Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2ª Ed. Barueri/SP. SBB, 2001
                                                                                                                                






















                             





















Matrícula  201973             Módulo TEO_EAD 7 2semestre 2013    Polo Itanhaém

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