Trabalho com base no texto “A Sociedade do Espetáculo e o discurso
religioso” de Luiz Carlos Ramos.
A sociedade tem atravessado grandes
transformações. Elas acontecem a partir das descobertas e criações de mecanismos que possam reproduzir de certa forma, condições de suposta vida digna
para o ser humano. No entanto essas supostas condições também trazem efeitos
colaterais que necessitam de autocrítica, a fim de reconhecermos seus
contratempos. Assim podemos perceber que nunca aconteceram mudanças tão velozes
como nas últimas três décadas dentro da sociedade, devido à evolução da
informática.
A inserção da mídia no cotidiano das
pessoas protagoniza uma nova identidade social. A imagem da TV, conforme Luiz
Carlos Ramos se tornou uma verdade, que faz a pessoa alienar-se da realidade
não muito colorida e bonita como a imagem reproduz. A idéia do belo e bom
reproduzido pela publicidade das imagens firmou-se na mente da nova sociedade
do espetáculo.
Essa visão determina um novo
discurso religioso onde a verdade se conecta com a separação da vida, sendo
assim procura-se por novas necessidades espirituais para serem supridas. Elas
vão se encontrar nos anseios que o marketing das imagens propicia, o consumo.
Dessa forma a graça de Deus tem se
tornado um objeto de consumo. A promessa de sucesso financeiro, posse de bens
de consumo, proeminência social, progresso na carreira profissional, entre
tantas, estão na base da comunhão com Deus. Assim também se muda a aparência da
singeleza pela suntuosidade, quantidade. O sucesso financeiro é o modelo
formado dos pastores que tem afinidade com Deus.
O investimento no estrelato se
prioriza. Os fiéis formam um grande e importante nicho de mercado, onde o
consumo se torna necessário para fabricar o novo evangelho. A verdade da
sociedade do espetáculo crê na promessa de ganhar o céu no intercâmbio. A
compra de CDs, livros, revistas, dízimos, ofertas tem seu um valor, assim como
uma benção especializada para cada uma delas.
O espaço de confraternização das
comunidades, e o calor humano se reduziram ao isolamento virtual.
Partindo desse pressuposto não
existe dificuldade de reconhecer que o culto (adoração a Deus) por esses
veículos tem seu feitio formalizado a reboque dos desejos, necessidades e
ambições do coração humano, (para ser absorvido e comprado) que conforme a
revelação bíblica profética é desesperadamente corrupto (Jr 17.9), assim como
desde os primórdios também é reconhecidamente maligno os desígnios humano (Gn
8.21).
Ao analisarmos a teologia econômica
da igreja constituída pela doutrina apostólica, com aprovação testemunhal de
Jesus (At 4), em comparação com o novo segmento cristão mediado pela mídia,
especialmente a televisiva percebemos,
a) tinham um só pensamento
(unidade).
b) a vida dos que criam na
ressurreição de Jesus testemunhada pelos apóstolos era de abundante graça
(ajudavam-se mutuamente).
c) os que tinham mais posses
dividiam com os menos favorecidos.
d) igrejas distantes (Macedônia)
cobriam a dificuldade de outra mais pobre (Judéia), 2 Co 8.14, para que
houvesse igualdade.
Claramente existe já um desafio para
o cristão atual viver na nova dimensão urbana e transformada e ser solidário
num sistema político, econômico, social e hostil, porém não é concebível
estimular a alienação, egoísmo, discriminação social, soberba, arrogância
religiosa de uma forma oculta entre os discursos, músicas e shows e promessas
que não condizem com os valores do Reino de Deus.
O conceito humano de ser maior e, sobretudo superior socialmente anda ao
avesso da advertência de Jesus aos discípulos “quem quer ser maior no Reino dos
céus deve ser o menor, deve ser aquele que serve”
Os ideais divinos
teológico-econômicos expostos por Jesus que se concentra na “busca
primeiramente do Reino de Deus e todas as outras coisas lhes serão
acrescentadas” foram simplesmente removidas para, se buscar primeiro as coisas
do reino humano e assim Deus lhe será acrescentado.
A questão é: como a nova comunidade
eclesiástica que se locupleta pela teologia midiática narcisista responderá
quando lhe for pedido por Jesus para “carregar sua cruz”?
Matrícula
201973 TEO_EAD 8
2014 1sem Pólo Itanhaém
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